Segunda-feira, 8 de Fevereiro de 2010
A importância da blogosfera

 

Pelo que observo no país, a blogosfera é hoje o espaço onde se encontra a informação mais fidedigna  e onde se pode trocar ideias e opiniões.

É essa, a meu ver, a dimensão da sua importância, sobretudo num país onde a liberdade deixou há muito de ser um valor defendido e respeitado.

 

Esta última iniciativa de uma parte significativa da blogosfera, de lançar e divulgar a Petição "Todos pela Liberdade", é um exemplo da sua intervenção cívica. Numa democracia fragilizada como a nossa, esta é a dimensão da sua importância.

 

Num sistema que deixou de funcionar, onde as instituições-chave já perderam a credibilidade, onde falhou a "so called" separação de poderes, o tal equilíbrio necessário para o sistema democrático funcionar, onde qualquer governante mais "determinado" pode chegar e manipular a informação, porque o sistema o permite (não tem defesas nem travões), esta é a dimensão da sua importância.

 

Pode agora a generalidade da imprensa ou a generalidade dos jornalistas e comentadores televisivos vir negar o seu servilismo nestes últimos anos, que não pega. Simplesmente fizeram o que lhes mandaram: alimentar e manter a ficção nacional.

 

Pode agora o PS bradar que há vozes independentes que nunca foram cúmplices da situação a que isto chegou, que não pega. Nostálgicos ou modernaços, foram todos na onda, de forma absolutamente acrítica, de forma absolutamente conformista.

 

Quanto ao Presidente, que optou pela "cooperação estratégica" com um governo de maioria absoluta na altura, e que já revelava a tal sede de poder insaciável, que já atropelava direitos fundamentais da democracia, que nos embalava com propaganda governamental desligada da realidade, bem pode dirigir-se de novo ao País, com ar preocupado ou com sorriso de circunstância, que esteve sempre atento, que a democracia funciona, que já não pega.

 

E não pega também o discurso de parte da oposição partidária, que teve a oportunidade de defender a proposta que nos levou a votar neles, e acabaram a viabilizar este orçamento de estado.

 

Também os eleitores que voltaram a apostar nesta ficção, nesta proposta suicidária, bem podem em breve vir queixar-se que não sabiam, que ouviam os noticiários na televisão, que também não pega. Aliás, não estranharam que lhes tirassem do écran a Manuela que era tão popular?, o telejornal da TVI que batia todas as audiências? Não estranharam?

 

Não, não se trata apenas de um PM ou de um governo, trata-se de todo um sistema e de um regime que falhou. Completamente. Isso está à vista.

Qualquer "determinado" o pode manipular, usar e perverter.

Qualquer arrivista pode ter uma máquina de profissionais bem treinados ao seu serviço, e manipular informação, propaganda, jornais, televisões, dominar empresas públicas, até bancos, e as instituições-chave da democracia. 

Um sistema assim não serve a democracia.

 

O que está em causa é muito mais do que a liberdade de expressão, e é muito mais do que um PM ou um governo, mas tem de se começar por algum lado.

É por isso que estou com os bloggers e cidadãos que se irão manifestar em Lisboa na próxima 5ª feira, dia 11. 

Sim, esta é a dimensão da importância da blogosfera, sobretudo num país fragilizado como o nosso, economicamente, socialmente, moralmente.

 

 

 

O Estado de Direito falhou: Vejam ao estado a que chegámos. Foi preciso a sociedade civil reagir para ouvirmos algumas vozes até agora caladas e cúmplices. Alguns modernaços do PS; dois Conselheiros de Estado; o próprio PM a zurzir contra jornalistas e oposição...

Quem mais se seguirá? Alguém da Justiça? O ministro? O Procurador Geral?

 

 

E não é só isso: Nunca saberíamos nada de nada se o segredo de Justiça não fosse violado... Ao que nós chegámos. Mesmo que não se faça nada, porque nunca há consequências, mas... pelo menos ficamos a conhecer o making of da telenovela.

 

 


sinto-me: a participar
música: I'm glad there is you - Jamie Cullum - Catching Tales

publicado por rio_sem_regresso às 23:40
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Domingo, 7 de Fevereiro de 2010
Amar o Cinema: Stanley Kubrick

 

Um dia destes, enquanto esperava por um filme que se visse, dei com o Mathew Modine a ser entrevistado no TCM. Estava precisamente na parte da entrevista em que referiu a sua experiência num filme de Stanley Kubrick.

Definiu-o como um génio e  definiu essa experiência como verdadeiramente inesquecível: Na nossa vida o mais importante são as experiências. Não são meses e anos somados... são as experiências significativas.

Para este actor, trabalhar com Stanley Kubrick foi uma dessas experiências.

 

Achei interessantíssimo ouvi-lo dizer que este realizador era, na sua vida privada, completamente diferente da imagem que lhe associamos de excêntrico, obsessivo, quase louco. Classificou-o mesmo como um homem de família: a sua casa tinha uma enorme cozinha, uma espécie de lugar de convívio familiar, onde a mulher pintava (foi o que percebi, que era pintora), onde os filhos faziam os trabalhos de casa e onde recebiam os amigos. Penso que essa imagem de excêntrico lhe permitia proteger a sua vida privada.  Está bem visto.

 

Na verdade, alimentei durante anos aquela imagem do realizador, de excêntrico e solitário, reforçada pelo génio que sempre lhe reconheci, aquele perfeccionismo.

Mas apesar de lhe reconhecer o génio, não revi nenhum dos seus filmes (a não ser duas excepções). São todos de uma intensidade e de uma violência psicológica, cada um no seu tema específico, que não me apeteceu repetir a experiência.

A não ser, como disse, duas excepções: o Laranja Mecânica, que revi com colegas de faculdade pelo tema em questão, e o Barry Lyndon, de todos os Kubrick o meu preferido.

Em Barry Lyndon encontramos uma fidelidade impressionante a uma época, com personagens fascinantes, que se deixam arrastar pelas paixões: o amor e o ódio, a ambição e a vingança. Todo o filme é uma ópera de cor e de sensualidade, e aquela música a envolver tudo...

 

Em todos os seus filmes vemos o seu imenso amor ao cinema, um pouco obsessivo, todo aquele perfeccionismo, sim, talvez mesmo excessivo, podemos mesmo aqui falar de paixão genuína. E também podemos falar de génio. No Cinema Stanley Kubrick foi único.

 

 

Coincidência feliz: Descobri ainda a tempo este post, O que os outros realizadores dizem de Kubrick, n' O Homem que Sabia Demasiado.

 

 


sinto-me: impressionada, para sempre...
música: a banda sonora do filme "Barry Lyndon"...

publicado por rio_sem_regresso às 15:33
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Sábado, 6 de Fevereiro de 2010
Do Tempo das Descobertas: Nem de propósito, Culpados e Discussão

 

Do Plomb du Cantal, a liberdade, ou a falta dela, ou a falta de amor por ela.


 

 

" Nem de propósito.

 

 

A Google lembrou-se de celebrar o nascimento de Norman Rockwell. Aproveitando a boleia, deixo aqui as quatro liberdades que o génio pintou: Freedom of Speech, Freedom of Want, Freedom of Fear e Freedom of Worship. Poucas foram as vezes em que as quatro pinturas foram tão oportunas ao mesmo tempo como agora.


  

Culpados.

Há dois grandes culpados do estado a que o Estado chegou. O primeiro é o povo, que ciente do que se passava, permitiu que esta gente nem sequer se levantasse do lugar. Pode dizer-se que a decisão de não ter imprensa livre é uma decisão democrática em Portugal. O segundo é o Presidente da República, que, no meio das estupidezes da sua própria privacidade, se esqueceu que o seu dever é garantir o respeito pelas liberdades individuais - de expressão - e colectivas - de imprensa - do povo que o elegeu.


  

Discussão.

A discussão sobre a liberdade de imprensa e sobre o caso Mário Crespo está a tornar-se cansativa. O motivo é simples: é inútil. Qualquer discussão séria sobre este assunto tem de partir da demissão do governo por parte do Presidente da República. Sem isso a discussão não é séria e não me apetece ter uma discussão cheia de aspas à volta.

 

# Tiago Moreira Ramalho  "


 

 


sinto-me: a observar

publicado por rio_sem_regresso às 19:58
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Sexta-feira, 5 de Fevereiro de 2010
Coisas simples: a chantagem

 

Das primeiras aprendizagens precoces está a famosa (e embaraçosa) birra. Os pais que cedem a primeira vez a esta estratégia já sabem o que os espera: vendo que funciona, a criança recorrerá de novo a ela para obter aquilo que quer da forma mais fácil (embora menos digna).

 

A chantagem é esta estratégia na versão adulto imaturo. Se o opositor cede a primeira vez vai ceder próximas vezes porque, uma vez bem sucedido, o chantagista tem ali um filão. É uma estratégia muito primitiva e precoce do desenvolvimento humano, pois é a forma mais fácil e cómoda (embora menos digna) de conseguir o seu objectivo.

 

É por saber que o chantagista, uma vez bem sucedido nunca desiste, e voltará sempre à carga, que nos livros policiais é eliminado logo no primeiro capítulo. Digamos que é o principal candidato a assassinado.

Há, no entanto, chantagistas inteligentes e outros pouco inteligentes, uns mais elaborados outros mais básicos.

Um exemplo de uma chantagem criativa é a da criada de quarto (Jane Birkin) de uma milionária americana que chantageou o assassino, em frente do próprio Hercule Poirot (Peter Ustinov)! A grande lata! É das chantagens que já vi em livros policiais (e este Morte no Nilo é dos mais emocionantes!) mais arriscadas e ousadas! É claro que a rapariga aparece degolada pouco depois e só então Poirot começa a juntar as peças e a recordar as suas respostas às perguntas que lhe tinha feito.

 

 


sinto-me: a observar

publicado por rio_sem_regresso às 15:16
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Quarta-feira, 3 de Fevereiro de 2010
Do Tempo das Descobertas: Um Homem

 

Do Circo da Lama este post sobre um homem e esta frase que registei: “há nos homens mais coisas a admirar que coisas a desprezar.”

 

 

" Um Homem

 

 

 

O Homem é um estrangeiro, um estranho. “Num universo subitamente privado de ilusões e de luzes” o Homem só se pode sentir estrangeiro. Mas ao contrário do exilado e do refugiado, o Homem tem de viver sem o consolo “de uma pátria perdida” e sem “a esperança de uma terra prometida”. Nem Ulisses, nem Judeu. O Homem já nasce longe de casa. E a casa nem sequer existe. Vale a pena viver esta vida? No ensaio O Mito de Sísifo, Albert Camus defendia que esta era a pergunta a que tínhamos de responder e o suicídio o único problema filosófico verdadeiramente importante. Ainda hoje há muitos que consideram que a obra de Camus apresenta o suicídio como a única saída para o Homem cercado de desespero por todos os lados. Para contrariar esta ideia basta ler o final do romance A Peste. Ou examinar com mais atenção a vida de Camus. O seu percurso foi invulgar. Nascido na Argélia, pied-noir, como eram depreciativamente chamados os franceses nascidos naquela colónia, Camus foi para a metrópole em 1941. A tuberculose impedira-o de prosseguir a carreira docente e Camus iniciou a carreira no jornalismo. Colaborou com a Resistência e foi redactor principal do jornal clandestino Combat, um dos mais importantes títulos da imprensa francesa durante a ocupação alemã. Quando ocorreu a libertação, em 1944, Camus já conquistara o seu espaço na literatura francesa. Dois anos antes publicara o romance O Estrangeiro e O Mito de Sísifo, que lhe valeram a atenção da crítica e a admiração, embora com reservas, de Jean-Paul Sartre. A amizade entre os dois gigantes terminaria anos mais tarde. Em 1951, Albert Camus publicou o ensaio O Homem Revoltado. O livro continha críticas ao Marxismo e ao modelo soviético e foi demolido numa recensão publicada na revista Les Temps Modernes, dirigida por Sartre. O que era uma manifestação do profundo humanismo de Camus contra todas as formas de opressão foi entendido pela esquerda como uma traição. As trincheiras ideológicas estavam demasiado cerradas para que uma “terceira via” fosse aceite sem turbulência. Para Camus, o homem absurdo tinha de aprender a viver sem as muletas de Deus ou do Partido. A sua vida e a sua obra são um testemunho a favor da esperança contra todas as evidências. Num mundo sem sentido, cheio de dor e de desespero, o homem deve exprimir a sua revolta positiva. “É preciso que nos ajudemos uns aos outros”, diz uma das personagens de A Peste. No final do romance, há uma frase que serve de fundamento ao humanismo ateu de Camus: “há nos homens mais coisas a admirar que coisas a desprezar.” A 4 de Janeiro de 1959, dois anos após ter recebido o Prémio Nobel, Albert Camus morreu num acidente de viação. Tinha 46 anos. Nascera no exílio, “entre a miséria e o sol.” Como todos os homens. "

 

Por Bruno Vieira Amaral 

 

 

sinto-me: a admirar...

publicado por rio_sem_regresso às 17:02
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Terça-feira, 2 de Fevereiro de 2010
Pequenas alegrias: Ringo Starr no Daily Show

 

Hoje passaram na Sic Notícias o Daily Show de 13 de Janeiro... e quem é que concluiu o programa?

O Ringo Starr, que parece ter descoberto o segredo da eterna juventude, acompanhado por Ben Harper & Relentless7, em duas canções: uma do novo álbum, Walk With You; e outra, a magnífica With a Little Help from my Friends.

Nem imaginam a minha emoção ao ver e ouvir o Ringo Starr neste som tão Beatles, que me traz de novo a alegria e a rebeldia primaveris!

 

Já agora, que nunca aqui os referi, os Beatles foram a melhor banda de sempre! Não apenas pelas suas composições a partir da altura em que se tornaram experimentais, mas pela sua vivência paralela, a sua busca filosófica, que estava em perfeita sintonia com uma atmosfera cultural irrepetível.

Os anos 60 foram anos excessivos e até decadentes, mas tiveram, a par desse lado sombrio, a frescura de todos os inícios, do olhar original.

Os Beatles também sentiram a decepção e reagiram a essa parte mais artificial e plastificada.

O que hoje me inspira ao ouvi-los é esse lado solar das suas composições, sobretudo da segunda fase, quando passam a gravar mais em vez de andar sempre em concertos. E vi os seus vídeos e os filmes sempre com o olhar inicial. Maravilhosos anos 60!

 

 


sinto-me: como nos anos 70...
música: "With a Little Help from My Friends" - The Beatles

publicado por rio_sem_regresso às 22:12
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Segunda-feira, 1 de Fevereiro de 2010
Coisas simples: os problemas

 

Os problemas. E como solucioná-los. Pois aqui vai, através de um texto de Mário Crespo, repescado aqui no Pau para Toda a Obra, mas também n' O Cachimbo de Magritte via Delito de Opinião, que não viu a luz dos escaparates no JN.

É um texto simbólico e surge no timing perfeito. Porque nos fala de "problemas" e como "se resolvem", sendo o seu autor, ele mesmo, e o seu texto, mais um "problema" a "ser resolvido". Pessoalmente, já estava à espera de uma "solução" destas, tratava-se só de uma questão de tempo e de oportunidade.


" Mário Crespo
Terça-feira dia 26 de Janeiro. Dia de Orçamento. O Primeiro-ministro José Sócrates, o Ministro de Estado Pedro Silva Pereira, o Ministro de Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão e um executivo de televisão encontraram-se à hora do almoço no restaurante de um hotel em Lisboa. Fui o epicentro da parte mais colérica de uma conversa claramente ouvida nas mesas em redor. Sem fazerem recato, fui publicamente referenciado como sendo mentalmente débil (“um louco”) a necessitar de (“ir para o manicómio”). Fui descrito como “um profissional impreparado”. Que injustiça. Eu, que dei aulas na Independente. A defunta alma mater de tanto saber em Portugal. Definiram-me como “um problema” que teria que ter “solução”. Houve, no restaurante, quem ficasse incomodado com a conversa e me tivesse feito chegar um registo. É fidedigno. Confirmei-o. Uma das minhas fontes para o aval da legitimidade do episódio comentou (por escrito): “(…) o PM tem qualidades e defeitos, entre os quais se inclui uma certa dificuldade para conviver com o jornalismo livre (…)”. É banal um jornalista cair no desagrado do poder. Há um grau de adversariedade que é essencial para fazer funcionar o sistema de colheita, retrato e análise da informação que circula num Estado. Sem essa dialéctica só há monólogos. Sem esse confronto só há Yes-Men cabeceando em redor de líderes do momento dizendo yes-coisas, seja qual for o absurdo que sejam chamados a validar. Sem contraditório os líderes ficam sem saber quem são, no meio das realidades construídas pelos bajuladores pagos. Isto é mau para qualquer sociedade. Em sociedades saudáveis os contraditórios são tidos em conta. Executivos saudáveis procuram-nos e distanciam-se dos executores acríticos venerandos e obrigados. Nas comunidades insalubres e nas lideranças decadentes os contraditórios são considerados ofensas, ultrajes e produtos de demência. Os críticos passam a ser “um problema” que exige “solução”. Portugal, com José Sócrates, Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão e com o executivo de TV que os ouviu sem contraditar, tornou-se numa sociedade insalubre. Em 2010 o Primeiro-ministro já não tem tantos “problemas” nos media como tinha em 2009. O “problema” Manuela Moura Guedes desapareceu. O problema José Eduardo Moniz foi “solucionado”. O Jornal de Sexta da TVI passou a ser um jornal à sexta-feira e deixou de ser “um problema”. Foi-se o “problema” que era o Director do Público. Agora, que o “problema” Marcelo Rebelo de Sousa começou a ser resolvido na RTP, o Primeiro Ministro de Portugal, o Ministro de Estado e o Ministro dos Assuntos Parlamentares que tem a tutela da comunicação social abordam com um experiente executivo de TV, em dia de Orçamento, mais “um problema que tem que ser solucionado”. Eu. Que pervertido sentido de Estado. Que perigosa palhaçada.

Nota: Artigo originalmente redigido para ser publicacado hoje (1/2/2010) no 'JN'.  "

 

 

 


sinto-me: nada disto me surpreende
música: o silêncio que às vezes é ensurdecedor...

publicado por rio_sem_regresso às 16:57
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Domingo, 31 de Janeiro de 2010
O Cinema na blogosfera

 

"A Grande História do Cinema" é um projecto ambicioso lançado pelo blogue Cinema is my life. Um projecto "colectivo  abrangente" que conta com a "colaboração de vários bloggers conhecidos".

Trata-se de oferecer "um leve estudo sobre a história cinematográfica desde os seus primórdios" e "conhecimentos acerca da evolução do cinema e a sua relação com o contexto social".

Os grandes temas serão apresentados de forma objectiva pelo autor do blogue e depois, no seu desenvolvimento, haverá lugar para uma visão pessoal, "subjectiva", de cada colaborador.

Desafia ainda os seus leitores a participar, o que também animará esta história do Cinema.

  

Dos blogues que colaboram neste projecto, apenas conheço alguns, além do próprio Cinema is my life: o Cinematograficamente falando e O homem que sabia demasiado. Mas a lista é considerável, como poderão confirmar no post que linkei acima, e será uma óptima oportunidade para me actualizar, blogosfericamente falando.

 

Vai, pois, valer a pena acompanhar esta iniciativa blogosférica, animada pelo que a todos nos une: o amor ao Cinema. 

 

 


sinto-me: na expectativa
música: original do filme "Cinema Paraíso"

publicado por rio_sem_regresso às 18:46
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Sábado, 30 de Janeiro de 2010
Coisas simples: Federer ou Murray?

 

É esta a pergunta que leio no Eurosport.fr: Federer ou Murray?

Andy Murray na Final do Open da Austrália com Roger Federer! Promete ser um encontro digno de ser visto. Eu que o diga, que pouco percebo de ténis, mas tenho acompanhado o percurso deste jovem escocês, Andy Murray, e fiquei encantada, diria mesmo, hipnotizada, com aquela Final do US Open em Setembro de 2008.

 

Um dos meus passatempos preferidos é descobrir talentos em diversas áreas, não no sentido que lhe dão os parasitas que promovem programas como os Ídolos ou os Pequenos Cantores, mas no sentido de uma descoberta que vou acompanhando, porque é sempre gratificante ver alguém percorrer o caminho difícil e exigente do seu aperfeiçoamento, que desejamos que seja o mais equilibrado possível.

Um talento genuíno só se desenvolve, e adquire maturidade, aliado a uma motivação saudável e a um ambiente favorável. Muitos perdem-se pelo caminho precisamente porque lhes falta a bússula interior, a sua motivação é exterior: para agradar, para impressionar, para ser famoso, para enriquecer, etc.

 

Andy Murray tem a sorte de ter as prioridades no seu devido lugar, a sua motivação é saudável: gosta de jogar ténis, vê-se a sua incrível paixão em cada encontro, só depois vem a família e os amigos, e lá mais para a frente, a sua Escócia ou mesmo o seu país. 

Desde o início que revelou a teimosia necessária para se aperfeiçoar: minimizar as suas falhas e maximizar as suas potencialidades. E a sua maior inspiração, onde se ultrapassa a si próprio, é perante um adversário de respeito. Neste caso, Roger Federer: o tenista de jogo mais inteligente e elegante, como diz a minha irmã Margarida, a especialista, linguagem técnica e tudo.

 

 

Um dia depois: É impressão minha ou até a minha irmã Margarida, a especialista, estava a torcer pelo Andy? A competição saudável é assim, aceita-se desportivamente, embora com uma certa emoção...

 

 


sinto-me: feliz, pelo Murray
música: o som ritmado da bola na raquete...

publicado por rio_sem_regresso às 16:14
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Sexta-feira, 29 de Janeiro de 2010
O feitiço da Lua

 

Foi tema de filme, Moonstruck, o seu feitiço...

Leio no Yahoo que hoje a Lua está visível como não estará em mais nenhuma altura do ano. Chamam-lhe mesmo the wolf moon...

Eu prefiro chamar-lhe Cosmo's moon... como diz uma das personagens do filme. Pelos vistos, Cosmo deixara-se enfeitiçar há muitos anos. Agora, limitava-se a fugir da morte, como lhe diz a mulher ao desconfiar do seu caso. Mas será a filha, uma viúva ainda jovem que perdera a esperança de viver um amor feliz, a submeter-se desta vez ao seu feitiço.

Se puderem, acompanhem esta Lua e vejam o filme.

 

 


sinto-me: enfeitiçada
música: "Tosca" de Puccini

publicado por rio_sem_regresso às 19:16
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